sábado, 19 de agosto de 2017

Boia Publicitária da Império Seguros




Agora que meio país está a banhos a deliciar-se nas tão disputadas praias algarvias, sob o calor tórrido de Agosto, nada melhor que completar esse cenário com esta publicação. 

Uma bela forma de fazer publicidade, e de tentar fidelizar publico desde jovem nao é verdade? É claro que para além das boias haveria ainda uma parafernália de outros objectos com carácter publicitário: sacos, bolas de praia, chapéus de sol, panamás, etc. Tem graça que passados tantos anos pouco mudou. Continuamos hoje a ter nas nossas praias um pouco de tudo isso. 

Agora imaginem, uma boia destas e uma criança feliz e despreocupada à procura de aventura nas ondas, ou de repouso nas calmarias de um mar chão. Esta boia trará, certamente, a todos (ou a quase todos) recordações de outras infâncias....e de outros verões...

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Saladeira/Fruteira da Companhia Nacional de Navegação


    



É bem provável que esta peça terá pertencido a algum dos navios da Companhia Nacional de Navegação, e ter chegado tão bem preservada até aos dias é de facto louvável. 

Como se poderá ver nas fotos em anexo, esta loiça foi fabricada pela a Candal para a CNN. Porém temos também a marca da Casa José Alexandre o que dá azo a certas confusões. Graças ao meu amigo Luis Lages, (homem que está como peixe na água nestas questões) fiquei a perceber que a Casa José Alexandre servia de intermediária neste processo. Ou seja, a CNN fazia a encomenda à Casa já citada que por sua vez a fazia à Candal.

Já agora peço ajuda a quem conheça bem os carimbos da Candal  me consiga datar esta peça.

Não é facto novo, pois em Novembro de 2008 publiquei um cinzeiro do Hospital da CUF também ele com o carimbo da Casa José Alexandre e outro da Vista Alegre. 

Quanto à Candal quem quiser saber mais sobre esta histórica e importante marca já desaparecida, pode consultar o site Candalpark.

Relativamente à história da Casa José Alexandre, recomendo vivamente a consulta do artigo existente no blog Restos de Colecção sobre o assunto.  Possui importantes dados historicos e fotograficos sobre essa prestigiada Casa que muito sofreu com o incêndio do Chiado ocorrido em 1988.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Placa publicitária do fungicida ASPOR

Há uns tempos mandei vir esta engraçada placa publicitária de Espanha. Trata-se de um fungicida criado pela empresa italiana Montecatini, com quem a CUF teve relações não só comerciais, como foi parceira de negócio numa empresa criada em 1971 chamada INICA - Sociedade de Iniciativas Mineiras e Industriais. Está em bom estado geral de conservação, de certeza que esteve a uso em alguma loja ou depósito agrícola. As dimensões da placa são as seguintes: 40 cm de altura por 30 cm de largura, devendo datar dos anos 60.
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Placa Publicitária

Mas afinal o que era e para que servia o Aspor? Nada melhor que consultar a edição número 44 da revista Ao Serviço da Lavoura editada pela Divisão de Produtos para a Agricultura da CUF:

                   

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Nota do Blogue

Estimados leitores

Como é do conhecimento geral, estive afastado do meu blogue desde Julho de 2014 até Junho deste ano. É de facto um hiato de tempo demasiado longo, e muita coisa me passou ao lado, inclusivé mensagens deixadas pelos leitores, aos quais deixo aqui um sincero pedido de desculpas. Perdi oportunidades e perdi contactos com pessoas que de alguma forma estão ligadas a este universo da CUF... A verdade é que às vezes a nossa vida prega-nos partidas e primeiro que ela se volte a endireitar, por vezes demora um bom tempo. Momentos adversos que nos retiram a paixão da escrita e de ir contando as "milhentas" estórias/histórias que existem sobre o universo do Grupo CUF. Só uma coisa não soçobrou: a vontade indómita de ir guardando e preservando espólio relacionado com o maior número possivel de empresas ligadas a este tema. Hoje, ao ler as dezenas de mensagens que os meus leitores deixaram ao longo deste tempo neste blogue, apercebi-me da tremenda injustiça que estava a cometer. Todas essas mensagens tiveram o efeito imediato de querer voltar a dar uma vida nova a este blogue. Podem crer que é uma grande satisfação pessoal receber todas as vossas mensagens, sejam elas de reconhecimento, ou de critica, pois é dessa forma que podemos melhorar a qualidade da informação existente nesta página. Fiquem a aguardar pelas novas publicações, que não se irão arrepender. 

E porque uma pessoa mesmo que queira não consegue estar sempre em cima do acontecimento no Blogue, caso tenham alguma pergunta ou me desejem contactar por determinada razão, podem adicionar-me no Facebook. É fácil! Procurem por "Ricardo Cuf" certamente nao haverá mais ninguem com tal nome. 

Com os melhores  cumprimentos 

       Ricardo Ferreira 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Há 50 anos era inaugurado o Estaleiro da Margueira

Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração
Há precisamente 50 anos era inaugurado com pompa e circunstancia o Estaleiro da Margueira, que projectaram o nome da Lisnave pelo Mundo. O projecto era ambicioso e numa escala nunca antes vista no nosso país neste sector. Usando as mais modernas técnicas e "know-how" de ponta, cedo a marca Lisnave começou a ecoar pelos quatro cantos do mundo naval. A inauguração deste Estaleiro foi um verdadeiro acontecimento na vida do país. Os convidados começaram a chegar ao local por volta das 14 horas estando presentes membros do Governo, representantes dos meios económicos nacionais, altos funcionários do Estado, delegados de numerosas empresas financeiras e industriais estrangeiras, enviados das principais companhias petrolíferas e de armação de navios, nomeadamente a Esso, Gulf, BP, Shell, Niarchos, Onassis e Norwegian Shipping, já para não falar nos membros da direcção, técnicos e empregados da empresa. Citando a Revista Industria Potuguesa "Ao todo, cerca de 7500 pessoas. Um caso único na vida das empresas económicas portuguesas" (ontem, como hoje!) À chegada do Presidente da Républica, a cerimónia inaugural principiou pela abertura das válvulas da doca 11 de 300.000 toneladas. Cheia a doca, o que levou 2 horas, o Presidente da Republica descerrou uma lápida com os seguintes dizeres: 

Momento da abertura das valvulas da doca 11
"Aos 23 de Junho de 1967, Sua Excelência o Senhor Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz, Presidente da República Portuguesa inaugurou este estaleiro naval, empreendimento no qual se congregaram homens e capitais portugueses, holandeses, e suecos e cuja colaboração e esforço se devem o projecto e construção deste estaleiro, a previsão do seu futuro desenvolvimento e formação do seu pessoal"

E por falar em previsão, é interessante verificar a constante evolução em termos de previsibilidade da sua docagem ao longo do projecto. Em 1961 considerava-se uma tonelagem de 65.000 ton. como bastante grande. Porém em curto espaço de tempo, novas metas surgiram para fazer face ao rápido crescimento da arqueação bruta dos navios. Assim em 1962 previam-se duas docas para navios com 100.000 ton, em 1964 duas docas para 150.000 ton., no ano seguinte aumentava-se uma das docas para poder receber navios na ordem das 200.000 ton. e por fim em 1966 o projecto final: uma doca para navios até 300.000 ton. e outra com capacidade até 100.000 ton.

Este foi um dos primeiros projectos industriais virados a 100% para o mercado internacional. O que significava que a empresa iria concorrer sob forte concorrência internacional. E como se sabe, apesar disso, tornou-se num emorme sucesso empresarial, tão grande que passados apenas 4 anos, foi necessário construir uma gigantesca doca para navios até 1 milhão de toneladas por forma a fazer face ao constante crescimento da querenagem dos navios, bem como ao próprio estaleiro adiantar-se face aos seus concorrentes mundiais. A sua tecnologia de ponta era motivo para visitas de todo o tipo de personalidades e técnicos estrangeiros, mesmo em termos de desgasificaçao e lavagem dos navios tanques. A sua localização geográfica em plena Rota do Petróleo, fez despoletar em poucos anos a planificação de um ambicioso projecto de dominar essa mesma Rota em varios pontos com a criação em meados/finais dos anos 70 dos Estaleiros de Reparação no Bahrein, em Jeddah, no Brasil (que não foi concretizado) e outro em Curaçau. Mas isso são outras histórias que ficarão para contar numa próxima ocasião. 

Refira-se ainda que no acto inaugural do Estaleiro, os Paquetes "India" e "Principe Perfeito" na Companhia Nacional de Navegação deram entreada nas docas 11 e 12.

À esquerda o Paquete Principe Perfeito, vendo-se a entrar a doca o Paquete India


Discursaram depois, o Sr. José Manuel de Mello, Gonçalo Correia de Oliveira (Ministro de Economia) e o Almirante Américo Thomaz. 

No final da cerimónia foi servido um jantar a bordo do "Principe Perfeito"

Como forma de perpetuar este acontecimento a empresa editou uma medalha da autoria do grande escultor Leopoldo de Almeida, existentes em módulos grande e em módulo pequeno



Também os C.T.T. se juntaram às homenagens editando uma série comemorativa de selos com o carimbo do primeiro dia.





Uma das peças mais interessantes que possuo é esta. Trata-se da brochura lançada pela Lisnave da inauguração do Estaleiro que foi oferecida ao então Presidente da Républica, Almirante Américo Thomaz. Encadernada em pele e debruada a ouro, na primeira página pode-se ver a dedicatória e a assinatura de José Manuel de Mello ao Chefe de Estado.




E para terminar este post, deixo-vos parte dos ecos deste acontecimento nos meio de comunicação social.

Diário de Noticias de 24 de Junho de 1967


Revista Flama - 30 de Junho de 1967

Industria Portuguesa Nº 473. Julho de 1967

Vida Mundial Nº 1463, 23 de Junho de 1967

Jornal de Almada - 24 de Junho de 1967



Revista Lisnave Nº 19, Julho de 1967 (capa e noticia da pág. 4)


Defesa Nacional Nº 401-402, Setembro-Outubro de 1967


Shipping World & Shipbuilder, Agosto de 1967

Quero deixar aqui o meu agradecimento público ao meu amigo Carlos Caria que teve a gentileza de me oferecer o Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração, que deve ser um documento que certamente poucos devem ter sobrevivido á voragem dos tempos.