quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Postal com a vista aerea das fábricas da CUF no Barreiro


Interessante e raro postal editado pela CUF para a exposição Industrial Portuguesa de 1932. Há já algum tempo coloquei aqui um postal semelhante a este, contudo este detém algumas diferenças e até dados novos. 

Analisando o postal à lupa, da esquerda para a direita, é possivel observar em primeiro plano junto ao rio, as primordiais instalações da oficina da Caldeiraria, que para alem de prestarem assistência a todo o complexo, davam ainda apoio directo ao pequeno estaleiro naval ali existente, onde a CUF construiu os primeiros navios e rebocadores da frota da SG. Acima pode-se ver as instalações para fabrico de sulfureto de carbono, enxofre e respectivo armazém. Ainda mais acima, pode-se ver já parte da Zona Têxtil numa fase inicial, na década seguinte iria práticamente duplicar a sua área. A seu lado podemos ver o local onde mais tarde se instalou o Campo de Santa Barbara que ainda se encontrava em estado praticamente natural. 

Ao lado pode-se ver o antigo Bairro operário ladeando o edifício da Sede da então Liga de Instrução e Recreio CUF, que mais tarde deu origem ao Grupo Desportivo da CUF. Note-se que o chamado "Bairro Novo da CUF" (do qual já aqui postei uma reportagem fotográfica) ainda estava em fase de construção, apenas existindo duas vivendas. 

Continuando a caminhar para a direito, deparamo-nos com a zona química, na época autenticas catedrais de madeira tijolo e ferro, onde era produzido o acido sulfúrico, ainda em unidades usando o processo de câmaras. Os telhados em Zig Zag e de grande continuidade, referem-se às instalações dos super-fosfatos, seguindo-se já a caminho para o Largo das Obras, aquilo que me parece ser um parque de cinzas de pirite de grande dimensão. As chaminés altas que se vêm acima do parque de cinzas, pertenciam à Metalurgia do Cobre.


Contudo o dado mais curioso encontra-se no verso do postal: Fábricas em Barreiro, Lisboa, Porto, Óbidos, Alferrarede, Mirandela.... e Sevilha! Como é óbvio, fui investigar um pouco mais sobre este empreendimento. De facto a partir de 1919 ate 1926/27 o industrial cansado de diversos atentados contra a sua vida, vai exilar-se em Espanha, passando algum tempo também em França. Portanto não será estranho a um homem como Alfredo da Silva, irrequieto e um constante criador de obra, tivesse prospectado o mercado espanhol e visto ali uma possibilidade de expansão da CUF alem fronteiras  Segundo Miguel Figueira de Faria, no seu livro biográfico sobre Alfredo da Silva, refere que o industrial fundou em 1923 a Compañia Uniõn Fabril, que detinha um capital social de 6.000.000 pesetas, possuindo escritórios na Rua Juan de Mena, 10 em Madrid. Esta informação é complementada na sua foto-biografia editada pelo Circulo de Leitura, onde na página 114 se afirma "Em 1925 começa-se a estudar uma fábrica de enxofre para Sevilha", mas infelizmente perde-se por aqui o rasto daquilo que terá sido a CUF Espanhola. Portanto e com base nestas informações, tudo indica que essa fábrica de enxofre existiu e se manteve pelo menos a funcionar ate 1932, numa época em que Alfredo da Silva já se encontrava de pedra e cal em Portugal. Fica porém  por responder quanto tempo durou, quando terminou e quais ou motivos. Será certamente motivo para um estudo mais aprofundado quando houver oportunidade para tal.

Anuncio aos motores Nohab Polar, usados em diversos navios da SG


Aqui vos deixo um interessante anuncio achado no Jornal da Marinha Mercante de Novembro de 1951, altura em que se preparava o I Congresso da Marinha Mercante.. Esta foi uma hora de grande renovação e modernização de toda a nossa marinha mercante, à qual a maior empresa nacional de navegação, a Sociedade Geral, não passou ao lado. Nesse ano frota de navios contava com um total de 31 unidades, estando em construção dois navios (como aliás é facilmente observável no anuncio). Motores estes que segundo o meu amigo Luís Miguel Correia me transmitiu deram imensos problemas. Por vezes o barato sai caro!

sábado, 4 de agosto de 2012

Distintivo em pano da Fábrica União

 
Hoje é dia de vos trazer um achado deveras curioso. Como poderão observar trata-se de um distintivo em pano da Fábrica União em excelente estado de conservação. Aliás nunca deve ter sido usado. Este distintivo seria cosido no bolso esquerdo da farda ou do possivel fato macaco de quem trabalhasse naquela unidade fabril, para uma fácil distinção dentro da complexa organização fabril CUF.