domingo, 23 de setembro de 2007

O Novo Terminal de Cargas da CNN, 1971



A Companhia Nacional de Navegação sendo uma grande empresa, tanto de carga como de passageiros, apostou sempre na modernização e na eficiência dos seus serviços. E é no seguimento dessa politica que decide construir um novo e moderno terminal de cargas. Portugal era ainda um País virado para o mar e que acarinhava e subsidiava através de Fundos do Estado uma marinha mercante em expansão (relembre-se que em 1973, Portugal passou a fasquia de 1 milhão de toneladas de arqueação bruta). Infelizmente, hoje tudo é diferente, mas deixemo-nos de lamentos e continuemos com o texto. As obras deste novo terminal começaram em 1970, entre a 2ª e a 3ª Secções do Porto de Lisboa mais concretamente situado junto a Santa Apolónia, de seu nome Cais da Fundição. Para tornar possível esse novo empreendimento foi necessário proceder á demolição de grande parte das velhas instalações onde funcionavam as oficinas de reparação naval, escritórios de apoio técnico e armazéns de materiais de consumo, que entretanto tinham sido transferidas para os Estaleiros da Lisnave em Almada. Este novo terminal dispunha de uma área de cerca de 3000 m2. Devido ao seu conceito de exploração, pelo seu elevado grau de mecanização das operações a efectuar, foi considerado um dos terminais mais avançados à época. Na sua inauguração esteve presente o Chefe do Estado Almirante Américo Thomaz.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Resultados da votação de "O Maior Empresário Português do Séc. XX" do Jornal de Negócios

Foram hoje divulgados os resultados das votações para “O Maior Empresário Português do séc. XX” realizado pelo Jornal de Negócios. Como se vai verificar em seguida as votações foram muito disputadas, ficando em primeiro lugar Alexandre Soares dos Santos, líder do Grupo Jerónimo Martins, sendo também o responsável pela sua internacionalização para os mercados do Leste Europeu com a cadeia “Biedronka”. Desde já felicito o Dr. Alexandre Soares dos Santos, pois é sem dúvida um português de grande valor e essencial para a dinamização e crescimento económico que o país tanto necessita, pois não é só dos tão falados "choques tecnológicos", que um país vive.

Em segundo lugar ficou Alfredo da Silva que ficou apenas a 7 votos atrás do primeiro classificado. É mais uma vez uma justa homenagem aquele que foi o primeiro grande industrial português, que eu pensava estar esquecido pela maioria dos portugueses, mas que pelos visto e ainda bem, me enganei.

Contudo gostaria de fazer umas advertências sobre o que está publicado no Jornal de Negócios sobre a pequena biografia sobre Alfredo da Silva. Em certa altura está escrito no texto que ele era o dono da Lisnave, essa informaçao não está correcta. Alfredo da Silva era sim desde 1936 o dono dos Estaleiros da Rocha Conde de Óbidos, arrendado á CUF, sendo o Estaleiro propriedade da Administração Geral do Porto de Lisboa (A.G.P.L.). Foi nesse estaleiro que foram construídos nos anos 30 e 40 e 50 a grande maioria dos nossos barcos de pesca, arrastões e lugres bacalhoeiros, cujo mais conhecido é sem dúvida o "Creoula", entre outros tipos de navios. A empresa Lisnave só foi constituída a 11 de Setembro de 1961, e envolvia capitais portugueses, suecos e holandeses, sendo prevista a construção de um grande estaleiro naval no estuário do Tejo, como já referi em Post oportuno.

Este projecto aliás não era novo,pois para Alfredo da Silva, desde os anos 20, uma das preocupações do empresário era o problema da instalação no Porto de Lisboa de meios adequados de querenagem. Estaria também ele já a pensar na futura necessidade de reparação da frota naval do Grupo CUF? Isso deixo ao critério de cada um. Facto é que será só já com o seu sogro, D. Manuel de Mello a frente dos destinos da CUF, que a 6 de Abril de 1954 foi requerido a criação de um grande estaleiro naval, que teve despacho favorável, sendo que a construção do mesmo só se iniciou em 1964.

Outro grande projecto que foi do tempo de Alfredo da Silva e que só foi conseguido pelo seu sogro, foi a aquisição da Companhia Nacional de Navegação, estudado ja pelo industrial desde os anos 20. Não há sombra de dúvida que durante os anos 40 e 50 a Sociedade Geral era uma das maiores (se não a maior) empresa de navegação em Portugal. Será pois em 1955 que por iniciativa de D. Manuel de Mello, que são adquiridas a maioria das acções da C.N.N. passando esta a fazer parte do Grupo CUF. Desta forma a C.U.F. passava a controlar o mercado de carga e também o de passageiros por via marítima.

Em seguida publico a lista dos empresários mais votados no concurso de “O Maior Empresário do séc. XX”

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Alguns Números sobre o Complexo da CUF - Barreiro em 1971

Área Fabril Ocupada................................1 560 000 m2

Área Industrial Disponível a Curto Prazo….........750 000 m2

Área Social.............................................265 000 m2

Efectivos de Pessoal em 30-6-1971........................6 640

Pessoal dirigente...............................................210

Encarregados e equiparados..................................260

Empregados administrativos.................................380

Empregados técnicos.........................................270

Pessoal fabril e oficinal especializados....................3120

Pessoal fabril e oficinal não especializados...............2110

1970:
Encargos com o pessoal..........................400 mil contos
(sendo 280 mil contos de retribuição directa e 120 mil de retribuição indirecta)

Consumo de Energia Eléctrica............175 milhões de kWh

Matérias-Primas Adquiridas............1,1 milhões de contos

Movimento do Porto Privativo......1,2 milhões de toneladas

Fonte: "Companhia União Fabril, Fábricas do Barreiro" 1971