domingo, 29 de julho de 2007

Hipermercados, uma inovação da Sonae? Ou do Grupo CUF?

Hoje em dia muito portugueses com certeza pensarão que quem trouxe a inovação dos Hipermercados para Portugal foi a Sonae de Belmiro de Azevedo. Pois estão redondamente enganados! Lembram-se da marca Pão de Açúcar? Pois bem, essa marca surgiu entre nós em 1970 pelas mãos do Grupo C.U.F. Tudo começou em Novembro de 1969 quando foi constituída a S.U.P.A. – Companhia Portuguesa de Supermercados, uma associação entre o Grupo Ipiranga (Brasil) e o Grupo C.U.F. Entrando assim o Grupo neste novo sector.

A chegada dos Super e Hipermercados ao Espaço Português veio revolucionar em muito o sector comercial, procurando baixar ao mínimo os gastos directos de venda, espalhando os encargos de estrutura por um elevado volume de facturação que permitia baixar margens de lucro bruto. A acelerada rotação de stocks e o aproveitamento máximo das áreas de venda assim como a multiplicidade de artigos a vender.

Devido ao seu sucesso comercial, assistiu-se em pouco tempo a uma enorme explosão da cadeia Pão de Açúcar. Do primeiro supermercado, situado na Av. Dos E.U.A. em Lisboa em 1970, foram-se espalhando superfícies comerciais por toda a área metropolitana de Lisboa (Almada, Setúbal, Barreiro, Oeiras etc). Em Outubro de 1972 na Venda Nova Amadora, e em Almada surgiram os primeiros Hipermercados portugueses, seguindo-se-lhe o de Cascais em Setembro de 1973. No final desse ano só em Lisboa, a cadeia Pão de Açúcar dispunha já de 9 supermercados (R. António Patrício, Av. de Ceuta, Av. 5 de Outubro, R. Conde Sabugosa, R. José Ricardo, R. Cidade de Bissau, Calçada de Carriche e R. de S. Bento). Estando previsto para 1974 a abertura de mais seis lojas (Parede, V. N. de Gaia, Porto, Coimbra, e arredores de Lisboa). Á data havia ainda projectos para a internacionalização da marca, passando por Madrid e possivelmente Londres.

No Ultramar Português, com a ideia de montar um hipermercado em Luanda, a S.U.P.A. funda uma nova sociedade a Africados – África Supermercados S.A.R.L. Luanda á época era a 2ª maior cidade do mundo em crescimento, a primeira era São Paulo, e o Grupo C.U.F. não quis perder a oportunidade de estar presente num mercado em franco desenvolvimento. Assim em 1973 inaugurou-se o Jumbo de Luanda com uma área de 13.000 m2, que muito assustou os comerciantes e retalhistas de Luanda que tudo fizeram para impedir a concessão de licenças de importação deste novo empreendimento.

Por ultimo para se verificar o enorme sucesso que teve a cadeia Pão de Açúcar deixo alguns números da sua exploração:

- 80 mil contos em vendas em 1970

- 400 mil contos em vendas em 1971

- 900 mil contos em vendas em 1972

- Mais de 1 milhão e meio em 1973


Fontes:
- Revista "Tempo Económico", Janeiro de 1974

domingo, 22 de julho de 2007

Livro de Itinerários da S.G., 1º Semestre de 1970



Recentemente adquiri esta publicação dos itinerários da S.G., que achei bastante interessante, espero que todos os interessados pelo ramo da marinha mercante gostem deste post.

Logo na primeira página podemos observar toda a frota da S.G. (composta por 26 navios e 2 rebocadores de alto mar). Nas páginas seguintes encontravam-se as carreiras que a S.G. efectuava.

Verificamos que a carreira Cabo Verde e Guiné era efectuada pelos navios, “Alfredo da Silva” e “Rita Maria”.

Na carreira de Angola, encontramos os navios de carga “Arraiolos”, “Cunene”, “Bragança” e “Cabinda”, em serviço de passageiros encontrava-se o paquete “Amélia de Mello”, com saída no Porto de Lisboa, passava em Leixões, S. Vicente, Cabinda, Luanda, Lobito, Moçamedes rumando de novo a Lisboa.

Passando agora a carreira França – Inglaterra – Angola, os navios: “Belas”, “Ambrizete” e o “Borba” faziam escala nos seguintes portos: Dunquerque, Londres, Liverpool, Leixões, Lisboa, Luanda e Lobito.

Nas carreiras do Norte da Europa – Angola, que partiam de Hamburgo, passando por Bremen, Roterdão, Antuérpia, Lisboa, seguindo depois para os portos angolanos, encontravam-se ao serviço 5 navios: “Almeirim”, “Bragança”, “Alenquer”, “Alcobaça” e o “Arraiolos”.

A carreira Norte da Europa – Portugal era servida pelo “António Carlos” com escalas em Leixões, Bremen, e Hamburgo.

A carreira Portugal – Inglaterra – Portugal era efectuada por navios fretados a outras companhias, o “Wi – To – Lion” e o “Westerems”.

Para finalizar este artigo refira-se que a Sociedade Geral tinha uma rede agentes por toda a Europa, e Africa Portuguesa. Em Angola, a representação era maioritariamente exercida por outra empresa do Grupo C.U.F. – a COMFABRIL, Companhia Fabril e Comercial do Ultramar, enquanto que na Guiné era a famosa Empresa António Silva Gouveia.

sábado, 21 de julho de 2007

Cartão de Identidade da C.N.N.

Neste post apresento mais um documento do meu espólio pessoal: um Cartão de Identidade da C.N.N. (Companhia Nacional de Navegação). Não se encontra datado, contudo podemos afirmar que é já pós 1972, pois o n/m Alenquer, que era pertença da Sociedade Geral já tinha sido integrado na frota da C.N.N. Relembro que esta empresa foi adquirida pelo grupo C.U.F. em 1956, sendo aliás já um sonho de Alfredo da Silva que desde os anos 20 sonhou juntar a S.G. e a C.N.N. Este senhor possuía a categoria de comandante do navio. Penso ser um documento interessante e até raro para quem se interessa não só pela C.N.N. como por navegação em geral. Não fiz scan à parte inversa do cartão por se encontrar em branco.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Curiosidade: Noticia sobre o andamento das obras do Estaleiro da Margueira

"No passado dia 2 do corrente, o Sr. Ministro das Comunicações, Eng.º Carlos Ribeiro, deslocou-se à Margueira, a fim de assistir, no que virá a ser o grande estaleiro naval de Lisboa, a mais um passo importante: o fechamento da ensecadeira criada para a escavação das duas primeiras docas secas.


Foi recebido no local pelos Srs. José Manuel de Mello, Almirante Ortins Bettencort, A. Spencer Vieira e Dr. Simões de Almeida; Eng.º João Rocheta e Thorsten Andersen, directores-gerais da Empresa; Dr. Daries Louro, em representação do Conselho de Administração da A.G.PL.; Eng.º Brás de Oliveira e Bissaia Barreto , da Profabril; e Eng.º Valente Perfeito, dos empreiteiros principais.


Numa das salas das edificações já existentes, onde estão situados os serviços administrativos, o Sr. Eng.º Rocheta deu explicações sobre os trabalhos abrangidos na 1ª fase, a concluir no princípio de 1967, e acerca do seu desenvolvimento que continua dentro do ritmo previsto.
Seguiu-se uma visita a outras instalações, como as obras de construção da caldeiraria, onde se procederá à execução de todos os trabalhos metalo-mecânicos necessários futuramente: aos dois transformadores, cuja instalação suportará, segundo se calcula, oito milhões de quilovátios-hora, etc.

Mas o momento especialmente significativo, foi, como acima dissemos, o fecho da ensecadeira formando o enorme fosse de onde surgirão as docas secas, cujas portas, cada uma das quais pesará 350 toneladas, serão construídas na nova caldeiraria, assim como toda a rede de tubagem para esgoto das docas, num comprimento total de nove quilómetros.

Nesta 1ª fase, a área ocupada será de cerca de 200.000 metros quadrados, na sua maior parte conquistada ao rio, obrigando a um aterro hidráulico de mais de um milhão e meio de metros cúbicos, estando já, nessa altura, o estaleiro equipado com guindastes e dotado de ar comprimido, oxigénio, acetileno, vapor, água salgada e água doce, além de corrente alternada e contínua com as características usadas a bordo.

Em meados de 1966, o estaleiro disporá, então, de 1100 metros de cais e terá a funcionar as oficinas de caldeiraria e mecânica, podendo, nessa altura, encarregar-se de trabalhos em navios atracados.

Numa 2ª fase, a área deverá subir para os 400.000 metros quadrados; e, em meados de 1967, as duas primeiras docas, de 300 m x 46 m, - neste tipo as maiores docas secas do mundo, pois são apenas ultrapassadas por um estaleiro japonês - poderão docar, simultaneamente dois petroleiros de 130.000 toneladas de porte bruto."

Fonte: "C.U.F. - Informação Interna, Fevereiro de 1965"

o Navio Alexandre Silva da S.G.

O Navio Alexandre Silva, propriedade da Sociedade Geral de Comércio Indústria e Transportes foi construído em 1941 nos estaleiros da C.U.F., tendo recebido o nome do irmão mais novo de Alfredo da Silva. Este navio de carga com uma arqueação bruta de 1.746,42 Toneladas, tinha uma potência de 1.700 cavalos e uma velocidade máxima de 12 nós. Esteve ao serviço na companhia até 1972, ano da integração da S.G. na Companhia Nacional de Navegação.

Fontes:

  • Fotografia do navio, colecção pessoal
  • Relatórios do Conselho de Administração da Sociedade Geral

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O Significado da Marca de Tabaco S.G.


Como já foi dito noutro post deste blog, em 1927, a C.U.F. pela mão de Alfredo da Silva, funda A Tabaqueira, empresa que será líder do sector dos tabacos até aos dias de hoje. Lançou inúmeras marcas de tabaco como “Severas”,”Definitivos”, “Monserrate”, “Porto”, “Português Suave” entre muitas outras. Porém uma das mais conhecidas é sem dúvida a marca “S.G.”, mas será que a maioria das pessoas sabe o porquê desse nome e o significado de tal sigla? Pois bem a marca S.G. foi lançada em 1957, e ganhou esse nome devido a outra empresa do Grupo C.U.F. – a Sociedade Geral de Indústria Comércio e Transportes, vulgarmente designada de S.G. A Tabaqueira homenageava deste modo a empresa que transportava (em exclusivo nos seus navios) os lotes de tabaco em rama que vinham de todas as partes do mundo, sendo em seguida transformados e seleccionados nas suas instalações fabris. Gerações de portugueses fumaram esta conhecida marca, de enorme sucesso comercial, actualmente, existem vários tipos de marcas de SG: SG Filtro, SG Gigante, SG Ventil, SG Lights, etc.

terça-feira, 10 de julho de 2007

O Grupo C.U.F. em 1974

Banca e Investimentos Financeiros

Banco Totta & Açores (1970)
Banco Totta – Standart de Angola (1966)
Banco Standart Totta de Moçambique (1966)
SOGESTIL – Sociedade de Gestão de Títulos (Fundo FIDES)
SOGEFI – Sociedade de Gestão e Financiamento (1964)
Sociedade Geral
International Factors Portugal (1965)
COBRIMPE – Cobranças, Organização e Assistência a Empresas (1972)


Indústria de Construção

EMACO – Empresa de Gestão e Construções (1964)
REALIMO – Estudos e Realizações Imobiliárias (1969)
FUNDUS – Administração e Participações Financeiras
SAEMA – Empreendimentos Financeiros e Comerciais (1964)
IMOBUR


Seguros e Resseguros

Companhias de Seguros Império – Sagres – Universal


Engenharia, Organização e Consulta

ENI – Electricidade Naval e Industrial (1969)
FRINIL – Frio Naval e Industrial (1971)
Empresa Geral de Fomento, planeamento e coordenação de empresas (1947)
NORMA – Sociedade de Estudos para o Desenvolvimento de Empresas (1963)
PENTA – Publicidade (1970)
PROFABRIL – Centro de Projectos (ex. centro de projectos C.U.F.)
PROMARINHA – Gabinete de Estudos e Projectos (1969)

Sector Químico

Companhia Portuguesa do Cobre (1943)
U.F.A. – União Fabril do Azoto (1948)
Lusofane (1962)
PREVINIL – Empresa Preparadora de Compostos Vinílicos (1969)
Microfabril – Sociedade Industrial de Bioquímica (1961)
VECOM – Sociedade de Limpezas Químicas e Protecções Especiais (1969)


Sector Têxtil

PROTEXTIL – promoção da indústria têxtil (1963)
SITENOR – Sociedade de Indústrias Têxteis do Norte (1962)
IPETEX – Sociedade de Indústrias Pesadas Têxteis (1965)
CICOMO – Companhia Industrial de Cordoarias de Moçambique (1966)
Companhia Têxtil do Punguè (1959)
SIGA – Sociedade Industrial de Grossarias de Angola (1951)
FISIPE – Fibras Sintéticas de Portugal (1973)


Sector de Higiene e Alimentação

COMPAL – Companhia de Conservas Alimentares (adquirida em 1963)
UNICLAR – Internacional de Cosmética (1971)
UNISOL – Sociedade de Distribuição e Exportação (1967)
SONADEL – Sociedade Nacional de Detergentes (1956)
FLORAL – Sociedade de Perfumaria e Produtos Químicos (1937)
INDUVE – Industrias Angolanas de Óleos Vegetais (1957)
PROALIMENTAR – Companhia de Produtos Alimentares do Centro (1968)
SICEL – Sociedade Industrial de Cereais (1963)
SOVENA – Sociedade Vendedora de Glicerinas (1956)
SOVENCOR – Sociedade Distribuidora de Óleos e Sabões nos Açores (1964)
SAPOMAR – Sociedade Madeirense de Sabões (1966)
SUPA – Companhia Portuguesa de Supermercados: Pão de Açúcar (1969)
GERTAL – Companhia Geral de Restaurantes e Alimentação (1973)
RESTAUBAR - Bares e Restaurantes (1969)
Restaurantes: Alvalade, Varanda do Chanceler, e Alfredo´s (Alvor)


Sector Metalo-Mecânico

MOMPOR – Companhia Portuguesa de Montagens Industriais (1972)
EQUIMETAL – Empresa Fabril de Equipamentos Metálicos (1973)
FERUNI – Sociedade de Fundição (1969)


Sector Eléctrico

JOMAR – cabos eléctricos e telefónicos (adquirida em 1972)
EFACEC – Empresa Fabril de Máquinas Eléctricas (1948)


Petroquímica

PETROSUL – Sociedade Portuguesa de Refinação de Petróleos (em associação com a SONAP) 1972
Companhia Nacional de Petroquímica (1972)
Sociedade Portuguesa de Petroquímica (em associação com a SACOR) 1957


Minas

Sociedade Mineira de Santiago (1966)
ECA – Empresa do Cobre de Angola (1944)
Pirites Alentejanas (1973)


Celuloses

Celuloses do Guadiana (1956)
CELBI – Celulose Beira Industrial (em associação com a Billerud) 1967


Tabaco

A TABAQUEIRA (1927)


Estaleiros Navais

LISNAVE – Estaleiros Navais de Lisboa (1961)
NAVALIS – Sociedade de Construção e Reparação Naval (1957)
REPROPEL – Sociedade de Reparação de Hélices Lda. (1971)
GASLIMPO – Sociedade de Gasgasificação de Navios (1967)
SETENAVE – Estaleiros Navais de Setúbal (1971)
Estaleiros Navais de Viana do Castelo (1945)
H. Parry & Son (adquirido em 1972)


Navegação


Companhia Nacional de Navegação (1956)
Companhia Moçambicana de Navegação (1971)
Empresa Africana de Cargas e Descargas (1970)
NAVANG – Companhia de Navegação Angola (1970)
NAVETUR – Agências de Turismo e Transportes de Angola (1971)
NAVETUR – Agências de Turismo e Transportes de Moçambique (1969)
NAVEMAR – Agência de Navegação Marítima e Aérea (1970)
NORTEMAR - Agência Maritima do Norte Lda. (1971)
GUINÉMAR – Sociedade de Agências e Transportes da Guiné, Lda.
PORTUFRETE - Fretamentos Marítimos e Aéreos, Lda.
SAMAR – Sociedade de Agências Maritimas (1970)
SOCARMAR – Sociedade de Cargas e Descargas Marítimas (1969)
SONATRA – Sociedade Nacional de Tráfego (1953)
SOPONATA – Sociedade Portuguesa de Navios-Tanques (1947)
Suprema Compañia Naviera S.A. (Panamá)
TRANSFRIO – Sociedade Marítima de Transportes Frigoríficos (1964)
TRANSNAVI – Sociedade Portuguesa de Navios Cisternas (1967)
TRANSMINEIRA (1970)


Hotelaria e Turismo

HOTAL – Sociedade de Indústria Hoteleira do Sul de Portugal (1962)
SALVOR – Sociedade de Investimento Hoteleiro (1963)


Concessão de Jogo (Algarve)
SOINTAL - Sociedade de Iniciativas Turísticas Algarvias (1971)


Aluguer de Veículos

EUROCAR – Companhia Nacional de Aluguer de Automóveis (1965)
SARMENTAUTO - Automóveis de Turismo, Lda. (adquirida em 1973)


Mercado Externo

INTERACID inc. ( Sede na Suiça 1971)
INTERCUF - Comércio e Representações de Produtos Quimicos Lda. (Sede no Brasil 1973)
FERTISUL (Brasil 1973) *
ICISA (Brasil 1973) *
Leal Santos (Brasil 1973) *
AGROFERTIL (Brasil 1973) *
D.C.I. - Desenvolvimento e Comércio Internacional (1974)
SUNEXPORT - Sociedade de Comercialização de Produtos Agricolas (1974)
NAVELINK S.A. - (Sede na Suiça, Janeiro de 1975)


Empresas Diversas

Companhia Animatógrafica dos Restauradores, (Cinema Éden) 1941
ISU – Estabelecimentos de Saúde e Assistência (1971)
UNIFA – União Fabril Farmacêutica (1951)
TINCO – Sociedade Fabril de Tintas de Construção (em associação com a ICI) 1958
Editora Arcádia, publicação de livro (1957)
Blanchard Portuguesa (1974)
Companhia da Ilha do Príncipe
Empresa António Silva Gouvêa
SOCAJÚ
COMFABRIL – Companhia Fabril e Comercial do Ultramar
CPIN – Companhia Portuguesa de Industrias Nucleares (parceria com várias empresas)


* empresas em que a CUF toma uma importante posição accionista

Fontes

  • "The CUF Group", CUF - Publicity Dep. July 1969
  • "O Grupo CUF", Departamento de Publicidade CUF, 1974
  • Maria Belmira Martins, "Sociedades e Grupos em Portugal", Editorial Estampa, 1973
  • Miguel Figueira de Faria "Manuel de Mello", Edições Inapa, 2007
  • Jornal República (1974)

Nota Bem: Esta lista não é definitiva, com o decorrer de estudos podem aparecer novas empresas que serão devidamente acrescentadas neste local.

Cartão de Identidade da C.U.F.



Neste post podermos verificar o frente e verso de um Cartão de Identidade, usado nas Fábricas do Barreiro, era mostrado a entrada do complexo, este modelo de cartão será usado ate 1975, ano da nacionalização do Grupo C.U.F. Este cartão é datado de 2 de Janeiro de 1945, observe-se que o numero de trabalhador desta pessoa era o 5.534. Neste período a sede da empresa ainda se encontrava localizado na Rua do Comércio, só passando para a Av. Infante Santo já nos anos 60.



segunda-feira, 9 de julho de 2007

À memória de Alfredo da Silva 1871-1942

Como começo deste meu blogue, não poderia deixar de homenagear o homem que está por detrás do nascimento desta grande empresa com a sua biografia:

Alfredo da Silva, é ainda hoje um nome desconhecido para muitos portugueses. Aliás posso dizer que foi com grande espanto que aquando do programa de "Os Grandes Portugueses", verifiquei que o seu nome se encontrava no patamar dos 90 mais.

Nascido a 30 de Junho de 1871, em Lisboa, desde cedo foi um lutador. Filho de pais burgueses, com negócio estabelecido na baixa de Lisboa, cedo se apercebeu do seu jeito para os negócios. Seu pai tinha juntamente com o irmão uma firma de seu nome “Silva & Irmão” estando ligada ao comércio de móveis e colchoaria, abastecedora da Casa Real. Alfredo sendo o mais velho, tinha 3 irmãos: Ricardo, Maria Emília, e Alexandre, viviam num edifício da Praça D. Pedro V, sendo a mãe uma presença sempre constante.
O seu pai falece em 1885, sendo o primogénito, irá pois tomar em suas mãos a tarefa de zelar pelos interesses comerciais e financeiros da família.
Em 1887 Alfredo da Silva matricula-se no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, escolhendo o Curso Superior de Comércio, revelou também uma enorme apetência para as línguas dominando para além do francês o inglês e o alemão, acabando-o com a média de 15,7 valores no ano de 1891.

Mal acabado o curso, Alfredo da Silva lidera um grupo de accionistas na chamada questão do Banco Lusitano, do qual a sua família possuía uma carteira de acções. Após uma acesa disputa nas reuniões de accionistas, será convidado para o lugar de director desta instituição. Será também por volta deste período que os administradores da Carris convidam-no a realizar viagens a cidades europeias com fim de fazer estudos sobre a aplicação da tracção eléctrica na empresa. Será devido aos seus relatórios com pareceres favoráveis á instalação da tracção eléctrica, que se procedeu a electrificação, das linhas da Carris, e a consequente substituição da tracção animal (os chamados americanos) pela tracção eléctrica. Ainda por volta desta altura, comprou um lote de acções da C.A.F. (Companhia Aliança Fabril) situada no vale de Alcântara, e que fabricava velas e sabões, mas que se encontrava com grande dificuldades financeiras. Este laborioso período onde o industrial, se encontrava a frente do Banco Lusitano, no Conselho de Administração da Carris, e mais tarde como Administrador Gerente da C.A.F. foi sem dúvida o seu período de afirmação no mundo dos negócios.

Á frente dos destinos da C.A.F., Alfredo da Silva cedo sonhou, numa fusão entre a sua empresa e a C.U.F. (Companhia União Fabril) de Henry Burnay, que era também a sua grande rival. Porém será só em 1898 é que, essa fusão será concretizada, após um incêndio que muito danificou as instalações da empresa, sendo a C.A.F. integrada na C.U.F. Alfredo da Silva passa a ser o Administrador Gerente da C.U.F. a partir dessa data. Em 1899 foi decretada a chamada Lei da Fome, com o fito de aumentar a produção cerealífera do país, baseada no regime proteccionista, e uma forte pauta alfandegária. O industrial olhando para esta oportunidade, não a deixa escapar, até porque ele sabia, que Portugal tinha as matérias-primas necessárias para o fabrico de adubos, que muito seriam necessários para uma maior produção agrícola.
Porém será em 1907 que Alfredo da Silva, com a sua ampla visão, vão dar um passo de gigante para o crescimento da CUF. Ele sabia que eram necessários novos terrenos para a expansão das actividades fabris da empresa, e após ter visto alguns terrenos a sul do Tejo, acha o terreno ideal situado no Barreiro.
Este terreno, cuja propriedade era de uma antiga fábrica de cortiça (Bensaúde & Cª.) era perfeito para a futura expansão da empresa, possuía acesso aos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste, com ligação ao Alentejo, onde se encontrava não só o centro cerealífero do país, bem como a possibilidade de recrutamento de mão de obra para as novas fábricas, possuía ainda ligação fluvial com a capital do país, localizando-se perto das rotas internacionais que cruzavam o porto de Lisboa.

O Complexo Industrial do Barreiro irá ser começado a construir em 1907, e logo em 19 de Setembro de 1908 inaugurava-se a sua primeira unidade fabril, a Extracção de bagaço de azeite. Apercebendo-se de que era necessário sacaria adequada para a comercialização dos adubos decide comprar a Fábrica de Tecidos Aliança, levando a sua maquinaria para o complexo do Barreiro, iniciando-se assim a C.U.F. no fabrico de tecidos de juta e linho. Será ainda neste ano que Alfredo da Silva, compra por 200 contos-ouro as participações de Henry Burnay.

Em 1909 a C.U.F. adquire no Porto, a fábrica de sabões e velas de Monteiro Santos e Cª no Freixo, para desta forma a empresa poder abastecer o norte e o centro do país.
Por volta de 1910, o complexo do Barreiro é já um grande centro fabril: fábrica de ácido sulfúrico, fábrica de adubos e armazenagem de superfosfatos, edifício para laboratórios, escritório técnico, armazém de aparelhos eléctricos e carpintaria; dois edifícios para armazéns de jutas, linhos, tecidos e sacos; fábrica de acido clorídrico, edifício da casa do guarda; edifícios para habitações e posto médico, bairro operário; edifícios para a fábrica de tártaros, armazém de azeite filtros e instalações de aquecimento no armazém respectivo.

Em 1912 a C.U.F. investe na produção de sulfato de cobre, essencial para a vinicultura, investindo também no enxofre. Durante este período a empresa tenta entrar no mercado espanhol, abrindo em Mérida uma agência encarregue das vendas nos seus produtos na Estremadura espanhola.
Durante a época da Iª Guerra Mundial atravessa algumas dificuldades em termos de abastecimentos de matérias primas para as suas indústrias, para além de a C.U.F. ser considerada pelos Ingleses de ser um investimento alemão em Portugal, isto porque um dos seus grandes accionistas (Martin Weinstein) era de origem alemã, vendendo o seu lote de acções a Alfredo da Silva.

Em 1918 sobe ao poder Sidónio Pais, é conhecido o seu apoio pelo industrial, que durante este período será eleito senador, e também designado para o Conselho Superior Económico. Com a guerra terminada, lança-se na criação de uma nova empresa, que será crucial para o futuro da C.U.F., de seu nome Sociedade Geral de Indústria Comercio e Transportes. Esta empresa fundada em 1919, iria ainda antes de se lançar no ramo dos transportes marítimos (1922), estava apta a adquirir ou fazer parte do capital de outras empresas que interessassem ao projecto de expansão da C.U.F., foi esse o caso da Casa Gouveia na Guiné. Assentava na exploração agrícola, centrada na palma, no mendobi (amendoim) e gergelim, que passariam a ser carregados em barcos da S.G. e passariam a ser transformadas em óleos comestíveis no Barreiro.
O após guerra em Portugal foi uma época muito complicada e turbulenta tanto em termos políticos como económicos, as greves eram uma constante, a instabilidade social enorme, onde grassava a fome. Neste período Alfredo da Silva escapará ileso a dois atentados, no terceiro em Leiria já não teve a mesma sorte, chegando a estar hospitalizado, soube-se que estes incidentes tiveram a marca de anarquistas.

Entretanto durante este período a Sociedade Geral entra na administração da Companhia do Congo Português, e em 1921 adquire a maioria das acções da Casa Bancária José Henriques Totta que a partir dessa altura passa a ser o centro financeiro do Grupo C.U.F.
Ainda em 1921 receando pela sua vida, decide ir para um exílio forçado em Madrid de onde só regressará em 1927. Á frente dos seus negócios deixará o seu sogro D. Manuel de Mello, recebendo este diariamente quer fosse por carta, como por telegrama as ordens necessárias para a administração do Grupo. Mesmo na sua ausência a C.U.F. crescerá, sendo instaladas as primeiras unidades de metalurgia do cobre e de cloruração e sintetização de cinzas de pirite, que são exportadas para utilização siderúrgica. Encontrava-se a frente da direcção técnica das fábricas do Barreiro o Eng. Eduardo Madaíl, substituindo o reputado técnico francês Auguste Lucien Stinville.

Em 1927 o Estado acaba com o monopólio dos tabacos, questão que há muito se arrastava, e que foi sempre de grande polémica. Assim Alfredo da Silva lança-se também no sector dos tabacos, para isso, funda A Tabaqueira, localizando-se a sua unidade fabril no Poço do Bispo.

Em 1929 a C.U.F. terá uma acção de relevo na chamada Campanha do Trigo, sendo a empresa uma das interessadas em promover os seus químicos e adubos, para isso chega mesmo a requisitar um comboio especial que percorria as vilas e cidades alentejanas, aumentando assim o seu numero de vendas. Aliás não será por acaso que Alfredo da Silva proporá a remodelação e ampliação da fábrica de superfosfatos, o incremento da produção de ácido sulfúrico, e a compra de moderno equipamento para a zona têxtil. Nesse momento a C.U.F. controlava já 50% da produção nacional de superfosfatos e em 1932 inicia-se no Barreiro a metalurgia do chumbo. Ainda nesse ano Alfredo da Silva será agraciado com a Grã-Cruz de Mérito Industrial, a partir de 1934, é eleito Procurador da Câmara Corporativa na sua primeira legislatura.

Em 1937, é a vez da C.U.F. se lançar no ramo da construção e reparação naval, após ter ganho a concessão do estaleiro da rocha conde de Óbidos, propriedade da Administração Geral do Porto de Lisboa. Esta aposta num sector novo para a empresa, está intimamente ligada à frota da Sociedade Geral, visto esta se encontrar em crescimento, e para alem de necessitar da sua manutenção, pois possuindo a C.U.F. um estaleiro, poderia não só reparar os seus navios como ainda lançar-se na construção de novas unidades para a sua frota. Além do facto de que neste período o estaleiro da C.U.F. iria ganhar grande importância, sendo o local onde se construíam lugres bacalhoeiros, arrastões de pesca entre outras embarcações, num período onde o Estado dinamizava o sector das pescas. Em 1940, no âmbito da política social da empresa, é criada a Caixa de Previdência do Pessoal da Companhia União Fabril e Empresas Associadas. De salientar, que uma das grandes preocupações de Alfredo da Silva, foi dotar na sua empresa, condições de trabalho e regalias, muitas vezes substituindo-se ao próprio estado, caso da Caixa de Previdência, dos bairros para trabalhadores, escolas primárias e nos cuidados médicos. Os salários que a C.U.F. oferecia eram acima da média, e os trabalhadores sentiam orgulho em trabalhar na companhia, os operários que muito respeito tinham por Alfredo da Silva alcunharam-no de pai-patrão. No complexo do Barreiro, surgiram um posto médico, campo de jogos, um cine-teatro, dispensa económica, vários refeitórios económicos para os trabalhadores, a sua obra social foi sempre crescendo, estando planeado á data da morte de Alfredo da Silva (1942) a construção de um Hospital para trabalhadores da C.U.F. inaugurado em 1945, localizado em Lisboa.

Em 1942, quinze dias antes do seu falecimento, funda a Companhia de Seguros Império, falecendo a 22 de Agosto desse ano. Foram muitas as pessoas que se deslocaram a seu funeral, entre personalidades da vida politica, amigos e muitos trabalhadores que o acompanharam até a sua última morada no Alto de S. João. Nesse momento a obra industrial criada no Barreiro empregava mais de seis mil empregados. Por voto expresso no seu testamento Alfredo da Silva desejava ser enterrado junto das suas fábricas, e para esse efeito em 1944 foi erguido um enorme mausoléu, onde os restos do industrial repousam até hoje.

Deixo como palavras finais as seguintes inscrições colocadas no seu mausoléu:

“Alfredo da Silva repousa junto da obra que criou e vela pela sua continuidade”

“A gratidão é o tributo singelo com que as almas simples pagam a quem lhes faz bem. Á respeitosa memória de Alfredo da Silva. Os operários do estaleiro naval”

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Razões de ser deste Blog, e sua breve Introdução

Sejam bem-vindos todos aqueles que se interessam por história, por indústria, ou apenas meros curiosos, pois aqui todos serão sempre bem recebidos. Pretendo com este meu blogue, preencher uma lacuna que só agora a História está a tentar agora preencher com o lançamento de alguns estudos sobre indústria assim como, biografias de industriais.

Contudo há ainda um longo caminho a percorrer, e eu na minha humildade, espero também poder contribuir com o pouco que sei e que estudo, especialmente no campo da CUF. Falar da CUF, é falar da História deste país, e do seu entrelaçar em grandes projectos industriais da sua época: Lisnave, Setenave, Projecto da refinaria do complexo de Sines, entre outros que muito contribuíram para o crescimento industrial de Portugal. O seu dinamismo, modernidade, política social, crescimento e diversificação num grupo que constou ter mais de 150 empresas, que fabricava mais de 1000 produtos diferentes, é sem dúvida assinalável e impressionante, se olharmos para o panorama industrial do nosso país á época. Esta é também uma forma de lhe prestar a minha homenagem àquela que foi a maior empresa portuguesa do séc. XX.

Se por algum motivo colocar alguma informação que esteja menos correcta, agradecia aos leitores que me avisassem, pois so assim é possivel melhorar e enriquecer este blogue.