quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O Congresso da ISMA - 1954

Entre os dias 24 e 30 de maio de 1954 realizou-se em Lisboa um Congresso Internacional de Superfosfatos (I.S.M.A. - International Superphosphate and Compound Manufacturers Association) que contou com a presença de representantes das seguintes nações: Portugal, Espanha, França. Inglaterra, Irlanda, Suiça, Alemanha, Itália, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlandia, Holanda, Estados Unidos, Africa do Sul, Norte de África, India e Nova Zelândia.

Postal do Casino Estoril

O banquete inaugural reuniu cerca de 500 pessoas e decorreu no Casino Estoril, sendo presidido pelo secretário de Estado do Comércio e Industria. No fim do banquete o Dr. Jorge de Mello na qualidade de representante da Indústria Portuguesa a este congresso saudou todos os presentes. Depois de agradecer as facilidades concedidas pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros para a realização deste congresso referiu que a indústria portuguesa de superfosfatos não existiu entre nós até ao ano de 1908. Focando-se depois na actualidade referiu a existência de três empresas nacionais produtoras de Superfosfatos cujas suas fábricas foram totalmente modernizadas depois da última guerra. De seguida
Dr Jorge de Mello
frisou: "Fazemos face a todas as necessidades imediatas da Lavoura metropolitana e ultramarina e estamos preparados para os aumentos de consumo que derivarem da activa politica de fomento agrário do nosso Governo. Mas, enquanto o mercado interno não se desenvolver suficientemente sobram-nos largas disponibilidades para exportação, quer por possuirmos grandes fábricas modernas e bem apetrechadas; quer devido às existências de pirites no nosso País; quer ainda pela sua posição geográfica, relativamente aos jazigos de fosfatos do Norte de África, Portugal estaria hoje em condições de ocupar posição de maior destaque na exportação de superfosfatos se tivesse querido colaborar mais activamente na desordem internacional de preços." Falaram de seguida os Srs. Colbejornsen e Grandgeorge manifestando palavras de reconhecimento aos organizadores do Congresso. O Presidente do I.S.M.A. Sr. Biro agradeceu a festa e por ultimo o Subsecretário do Comércio referiu-se à necessidade da intensificação da lavoura nacional, por forma a dar resposta ao elevado ritmo de crescimento da população nacional.

Casa São Cristóvão no Estoril onde decorreu o Cocktail 
O local escolhido para a realização das reuniões deste Congresso, foi a sede da Associação Comercial de Lisboa. E como não poderia deixar de ser da praxe, entre estas reuniões, realizaram-se visitas turísticas e almoços de confraternização. No dia 26, os membros do Congresso visitaram os arredores de Lisboa tendo visitado o Palácio de Queluz, de seguida foi servido um almoço nos jardins do Palácio de Monserrate a convite da Câmara Municipal de Sintra. À tarde, D. Manuel de Mello ofereceu na sua casa do Estoril um cocktail aos congressistas.

No dia seguinte a comitiva rumou a Vila Franca de Xira, mais concretamente à Estalagem do Gado Bravo, local escolhido pelas empresas das minas de S. Domingos, Lousal e Aljustrel para oferecer o almoço aos congressistas. Durante o repasto os 400 congressistas poderam admirar danças e cantares caracteristicos da leziria ribatejana, tendo-se distinguido os seguintes solistas: Manuel Rabaça, Maria Paixão e Maria das Graça. Seguiu-se uma garraiada em que tomaram parte os cavaleiros Manuel Conde e Francisco Mascaranhas.


Capa do Menu


Menu do Almoço

Complexo da CUF no Barreiro

No dia 28 os delegrados do I.S.M.A. visitaram demoradamente as fábricas da CUF no Barreiro sendo acompanhados pelo Sr. D. Manuel de Mello, Nicolas Gregori, José Manuel de Mello e eng. Eduardo Madaíl administradores daquela empresa, bem como pelo Dr. Jorge de Mello, delegado a indústria portuguesa ao conselho da Associação Internacional de Fabricantes de Superfosfatos. Depois de terminada a visita foi oferecido pela administração da CUF um almoço, no meio do qual o Sr. D. Manuel de Mello usou da palavra, merecendo sem sombra de duvida serem lidos os seguintes excertos:

"Dirijo-me a homens de trabalho para quem o estudo, o espirito de decisão e a actividade valem mais do que a oratória. Tal como os congressistas, entendo que os ruídos de uma fábrica em laboração valem mais do que um discurso. Direi mesmo: para visitantes de alta categoria social e industrial de V. Exas. valem mais do que qualquer outra homenagem. Escutemos, então, o que esta fábrica nos está dizendo pelas voz de suas máquinas.

Ela quer contar-nos a sua história, as suas grandes dificuldades iniciais, o seu lento progresso , as lutas constantes, as desilusões e as vitórias. É, afinal, a história de quase todas as grandes fábricas que pelo Mundo têm sido geradas por esse inigualável factor de fomento que se chama iniciativa privada. Mas esta fábrica fala-vos, principalmente do homem, tantas vezes incompreendido, que a soube criar e fazer grande. Do homem que, mesmo no túmulo, permanece junto dela, como que a dirigi-la ainda com o seu espírito imortal e a extraordinária força de vontade que para nós, seus sucessores continua sempre viva. Muitos de V. Exas. o conheceram e com ele conviveram em reuniões e congressos internacionais.

Alfredo da Silva, com audácia, inteligência e tenacidade, com o mais são, mais útil e mais indiscutível patriotismo, foi o primeiro industrial português do seu tempo, em época em que as grandes iniciativas económicas não tinham ainda o devido acolhimento entre nós. Deu-nos exemplo magnifico, exemplo que frutificou. Apontou-nos o caminho do futuro. Soubemo-lo seguir. Antes de Alfredo da Silva se lançar no fabrico de superfosfatos, faltavam quase totalmente á lavoura nacional os adubos nacionais, motivo por que ela se encontrava á mercê das guerras e outras causas de dificuldades de abastecimento do estrangeiro.

Fabrica de Superfosfatos da C.I.P.

Hoje além desta fábrica que estão escutando, existem em Portugal mais duas outras, a da SAPEC de Setubal e a da Companhia Industrial Portuguesa na Póvoa de Santa Iria cuja soma de capacidade de produção atinge cerca de 650.000 toneladas a mais de superfosfatos, equiparadas portanto, para todas as necessidades actuais da lavoura metropolitana e ultramarina e para os aumentos de consumo previstos. Portugal, que soube conquistar o seu lugar como exportador de superfosfatos, deseja mantê-lo, para o que tem direito incontestável."

D. Manuel de Mello
O Sr. D. Manuel de Mello concluiu dizendo:

"Ao receber visitantes tão ilustres, esta fábrica inscreve os seus nomes, a letras de ouro, na memória dos seus dirigentes. Em meu nome pessoal e no conselho de administração da Companhia União Fabril, brindo por V. Exas. pela prosperidade das obras económicas e sociais que dirigem e faço votos  ardentes para que o congresso do I.S.M.A. contribua para a cooperação internacional cada vez mais forte e portanto, cada vez mais util para todas as nações nele representadas."

De seguida o Sr. Douglas Bird usou da palavra agradecendo em seu nome e dos delegados o prazer que a Companhia União Fabril lhes proporcinou de visitarem as suas fábricas do Barreiro. O representante da Holanda, Sr. J. D. Waler agradeceu a recepção dispensada e brindou a Portugal. Por ultimo o Subsecretário do Comércio e Industria, regozijou-se com o facto de o congresso ter sido realizado no nosso país, permitindo aos delegados conhecer a realidade do nosso desenvolvimento industial, bem como das gentes portuguesas.

Após o almoço os congressistas dirigiram-se para Belém, para ali visitar o Museu dos Coches, seguindo depois para o Castelo de S. Jorge.

Fontes consultadas:

- O Século, Diário de Noticias, Diário Popular

domingo, 15 de outubro de 2017

Cinzeiro da Setenave

Meus amigos, aqui vos deixo um dos meus últimos achados: um cinzeiro da Setenave em alumínio. Infelizmente pouco sei sobre ele, como podem ver pelas fotos, nem se consegue perceber onde poderá ter sido feito. É bonito, tem um design apelativo, é leve, vê-se que foi utilizado, e é tudo. Espero que gostem. 




domingo, 1 de outubro de 2017

Anúncio da Sociedade Geral - 1952

Uma das coisas que desde muito jovem sempre me saltou á vista foi a publicidade, sempre gostei de parar nessas páginas, ver a criatividade, o grafismo, e o conteúdo das mensagens. Hoje em dia como investigador, tenho o previlégio de poder olhar diáriamente para uma vasta panóplia de anúncios das mais diversas épocas, graças aos jornais, revistas e outras publicações que tenho de consultar, o que me fez estreitar ainda mais o gosto pela publicidade. 

Como é do conhecimento geral o Grupo CUF sempre apostou forte no sector publicitário, por isso não admira que tenha em minha posse mais de quatro centenas de anúncios. Contudo o mais engraçado é que de tempos a tempos lá se descobrem mais anuncios novos que eu nem fazia ideia que existiam! Pois de entre os diversos anúncios da Sociedade Geral que eu fui arquivando ao longo dos anos, nenhum me chamou tanto à atenção como este que hoje vos mostro. Descobri-o por acidente num livro que estava á venda numa feira de velharias, é claro que o tive de trazer para casa!  

Apesar de muito simples o seu grafismo é delicioso. O mastro e as duas bandeiras a cores com os navios "Alferrarede" e "Alfredo da Silva" imprimem dinamismo e acção ao anúncio. A escolha do navio "Alferrarede" não é inocente, sendo que esta publicidade se encontra num livro laçado em 1952 designado "Abrantes cidade florida" que é nem mais nem menos que uma detalhada monografia do Concelho Abrantino, da qual a localidade de Alferrarede faz parte. O "Alfredo da Silva" para além de ser o navio mais recente à epoca na frota da Sociedade Geral, era também o maior navio (até então) construido em Portugal, considerado um marco da politica de Ressurgimento marítimo que por essa época o governo propagandeava.  





quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Exposição "Lisboa e Benfica - 20 Clubes, 20 Histórias"

Cartaz da Exposição

Está quase a terminar a exposição na qual participei não só na qualidade de investigador, como de ter sido o "embaixador" da CUF, pois não havendo ninguem deste clube que foi extinto por volta de 1947, fui eu quem emprestei o pouco espólio que possuo. 

Galhardete e Botoeira do CUF de Lisboa


Independentemente dos gostos clubistas de cada um, esta é uma exposição que para além de focar a história do Benfica, dá também ela um grande ênfase ao futebol lisboeta e a sua história. Uma história bastante rica, quer em termos de agremiações desportivas, "estórias", e velhas rivalidades entre Clubes. Se alguns deles não chegaram até nós, soçobrando por entre as adversidades dos tempos, (casos da CUF, ou do Cruz Negra) outros continuam a testemunhar a sua existência ao serviço do desporto e da cultura (casos do Oriental, CIF, Casa Pia, Belenenses, Atlético). E pelo meio de toda esta riqueza, encontram-se sempre curiosidades, especialmente nos tempos idos onde o futebol era vivido mais de perto pelo público. Foi precisamente esse o propósito desta exposição: dar a conhecer a riqueza do futebol lisboeta nos tempos em que o Campeonato de Lisboa, causava verdadeira sensação, arrastando aos domingos, grandes massas de adeptos aos campos onde se disputavam verdadeiros "derbies" futebolisticos (às vezes tanto no campo, como na bancada).


Ficha do Clube, texto de uma partida de futebol entre a CUF e o Benfica e cartoon de Ricardo Galvão


Ricardo Galvão, cartoonista do jornal A Bola, dá vida a cada uma vinte histórias ali apresentadas, sendo sempre que possivel complementadas com objectos de cada um dos Clubes. Tarefa essa que nem sempre é fácil, pois se há Clubes que tiveram o cuidado em ir guardando e preservando a sua história, de outros não restou praticamente coisa alguma. Digo isto com conhecimento de causa, pois fui um dos elementos responsáveis por contactar com alguns dos clubes em questão. 

Para quem como eu, gosta e aprecia caricatura, vale apena ver com olhos de ver, as excelentes caricaturas de Stuart de Carvalhais, Pargana e João Martins todas elas ligadas ao mundo do Futebol. Uma autêntica delicia! 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Os 44 anos do hipermercado Pão de Açúcar/Jumbo em Cascais

Fez ontem 44 anos, que a inauguração do 17º estabelecimento do Pão de Açucar em Portugal revolucionou a ida às compras na Linha de Cascais. O novo hipermercado mudou hábitos de consumo, democratizou preços e levou maior variedade de produtos e bens a um vasto número de pessoas. Localizado estratégicamente junto á Estrada Marginal e à Linha de Comboio, não admira que se tenha tornado ao longo destes anos, tambem ele, um ícone desta Vila, tal como foi no passado o já desaparecido Hotel Estoril-Sol. É impossivel não se notar na azáfama diária de carros e de gente que ali se deslocam para fazer as suas compras. 

Como é referido na Revista Binário de Outubro de 1973 "Aos técnicos responsáveis por este novo empreendimento foi imposta uma brevidade na elaboração do projecto e na execução da obra que constituiu verdadeiro desafio à sua capacidade. Um desafio que aceitaram conscientemente, enriquecidos, como estavam, pelas experiências anteriores. 
Cento e vinte dias era o prazo fixado; trabalhou-se num ritmo intenso, ergueram-se cerca de 9 mil metros cúbicos de betão, num curto espaço de tempo fez-se praticamente tudo o mais: acabamentos, decoração, montagem do equipamento..." 






Caixas
O hipermercado do Pão de Açucar (actual Jumbo) ocupa uma area de 15.500 metros quadrados no qual o sector de vendas detinha à epoca um total de 5500 metros quadrados. Neste projecto tudo foi estudado ao pormenor inclusive a sua estéctica "No caso de Cascais, com uma urbanização definida e esteticamente valorizada, houve, no entanto, que procurar uma aliança entre as soluções técnicas e os ideais estéticos, por forma a enquadrá-lo dignamente no conjunto. Pôs-se assim de parte a concepção tradicional, marcada da maior sobriedade, para levantar um edificio de linhas mais apuradas, em que a fachada, rica de pormenores, empresta logo um aspecto deveras agradável. Essa mesma determinante inspirou o garden-center, com uma estrutura de ferro e vidro, no qual se atendeu, acima de tudo, ao cosmopolitismo de Cascais e ao propósito de contribuir para o seu aspecto paisagístico." 





                                                                                                           





   
     




Programação e coordenação: Eng. César Palha (Direcção de Expansão dos Supermercados Pão de Açúcar - Lisboa) Arq. Carlos Novais (Construtora Pão de Açucar, S.A. - S. Paulo)
Projecto de Arquitectura: Arq. Eugénio Nascimento
Projecto de Engenharia: Profabril
Direcção da Obra: Eng. Basto Machado
Projecto de Frio: Eng. António Vilela
Decoração: Agostinho Rocha 
Equipamento: Joaquim Serralheiro



A sua inauguração foi um verdadeiro acontecimento para a época, centenas de pessoas aglomeraram-se desde muito cedo junto à entrada do estabelecimento. O Dr. João Flores (Administrador-Delegado da SUPA) recebeu á entrada do edificio o presidente e vice-presidente da Câmara de Cascais, respectivamente, engº Pinto Machado e comodoro Julio Vieira Lopes, o Dr. Jorge de Mello, Eng. Sousa Rego, Vistulo de Abreu, e Drs Abilio e Arnaldo dos Santos Diniz. Após o discurso inaugural prferido pelo Dr. João Flores o pároco de Cascais, Assis Cardoso deu a benção a todos os que empenharam o seu esforço e talento no notável empreendimento, seguidamente a senhora de Pinto Machado cortou a fita simbólica, iniciando-se a visita inaugural. 



          











Snack-Bar
Como é referido no Diário de Noticias de 15 de Setembro de 1973 "Além de todas as secções comuns a todas as lojas, o Pão de Açucar de Cascais apresenta um actualizado pronto-a-vestir, sapataria, balcões de óptica e cosmética, fotografia, e cinema, artigos de campismo e desporto, acessórios de automóveis, bicicletas, electrodomésticos, roupa de casa e mobiliario. Tem igualmente, um excelente snack-bar e uma moderna secção de padaria e de pratos cozinhados. Prevê-se ainda para breve, a abertura de um «garden-center». autêntica novidade nos estabelecimentos similares, e onde poderáo adquirir-se utensilios de jardinagem, sementes, plantas, adubos, vasos e terras, bem como, numa secção anexa, peixes e aves e plantas aquáticas.
Sublinhe-se também, que o Pão de Açucar de Cascais tem a maior rede de frio de todos os supermercados da Peninsula Ibérica e que para comodidade do público, dispõe de um parque para 300 automóveis" Á epoca este estabelecimento era sem sombra de duvida o mais moderno e mais bem equipado hipermercado do país. 



Garden-Center
Pormenor do Interior do Garden-Center
Anuncio da Inauguração do Pão de Açucar de Cascais


Passados que são 44 anos, é natural que muito tenha mudado no actual Jumbo, que hoje tem um parqueamento muito maior devido á construção há mais de 20 anos do silo auto de 2 andares. O espaço do antigo Garden-center já não existe, dos cinemas já só resta uma leve lembrança etc. E é bem possivel que hajam novas alterações (desta vez alterações radicais) relacionadas com aquele espaço. Na edição online do Jornal Expresso de 12 de Março de 2017, é apresentado um novo projecto que pretende revolucionar a entrada de Cascais. O que uns chamam de revolução, chamo eu de pura especulação imobiliária que ira trazer dividendos fenomenais a alguns! Mas quem sou eu para julgar tais propósitos! Deixo o assunto á sensibilidade e visão de cada um. Para mim o mais divertido é ir à página do projecto, fazer o download do seu powerpoint e chegar à parte histórica e ver aquilo em branco. Vê-se de facto o valor dado à parte histórica neste país nos mais diversos sectores. Se calhar estavam á espera que um tipo como eu, lhes fizesse o trabalho de casa. Agora já podem vir aqui roubar e fazer "copy-paste" à vontade, como aconteceu já com tantas postagens deste blogue!



Abilio Diniz
Em jeito de remate coloco em destaque a figura de Abilio Diniz. Para muitos acredito que seja um nome totalmente desconhecido. Abilio dos Santos Diniz, é filho de Valentim dos Santos Diniz, originário de uma aldeia do distrito da Guarda, e que cedo imigrou para o Brasil, à procura de uma vida melhor. O que começou por ser uma modesta doçaria com o nome "Pão de Açucar" tornou-se anos depois na maior cadeia de super e hipermercados da América Latina. Abilio desde cedo se interessou pelo negócio, apostado em fazer crescer ainda mais a marca. Assim entre 1959 e 1963 estudou nos Estados Unidos da América, as mais modernas técnicas e métodos de distribuição a todos os níveis, uma espécie de formação "de como ter êxito na vida montando supermercados" terá ele dito a uma entrevista de uma revista. Abilio foi o grande responsavel pela rápida expansão da marca "Pão de Açucar" pela América Latina, tornando-se num empresário respeitado quer no Brasil quer no estrangeiro. Por isso não é de todo estranho que um homem dinâmico como ele, tenha aceite o desafio de se juntar ao Grupo CUF por forma a internacionalizar ainda mais a sua marca. A sua presença em Portugal oferecia-lhe não só o mercado interno e ultramarino (Jumbo de Luanda), mas ainda a possibilidade de fazer crescer o nome "Pão de Açucar" na Europa. E a verdade é que em meados de 1974 foi inaugurado no centro de Madrid o "Pan Azucar", havendo planos para estender a sua actividade a Londres, mas as mudanças politicas em Portugal e a consequente nacionalização do Grupo CUF deitaram por terra esse projecto. 

domingo, 10 de setembro de 2017

Salão de Divulgação filatélica do Grupo Desportivo do Banco Totta-Aliança

Em Abril de 1968, a Cidade Invicta organizou uma Exposição Distrital de filatelia que ficou conhecida como «Porto - 68». Aproveitando muito possivelmente os ecos dessa grande mostra, resolveu o Grupo Desportivo do Banco Totta-Alliança elaborar o seu 1º Salão de Divulgação Filatélica, que ocorreu na sua sede localizada no nº 41 - 5º andar da Avenida dos Aliados.

Medalha Comemorativa
Segundo o Jornal de Noticias de 30 de Abril de 1968 "trata-se de uma iniciativa que visa demonstrar pela imagem os vários motivos e aspectos que enforma a filtelia desde a sua forma clássica até à apresentação de uma temática própriamente dita, passando pelo colecionismo de postais máximos, subescritos de primeiro dia e franquias mecânicas."


Subscrito comemorativo da exposição

A exposição esteve patente ao público entre 3 e 8 de Maio de 1968, à qual acorreu grande número de filatelistas. Este certame contou com o apoio de diversas entidades: Ministério do Ultramar, C.T.T., F.N.A.T, S.N.I., Clube Internacional de Filatelia e o Sindicato dos Empregados Bancários. Para saber mais curiosidades sobre o certame basta ler as noticias em anexo.


Jornal de Noticias - 4 de Abril de 1968

O Comércio do Porto - 4 de Abril de 1968










terça-feira, 22 de agosto de 2017

Alfredo da Silva faleceu há 75 anos



Para o espírito inquieto de Alfredo da Silva nada melhor do que celebrar os 75 anos do seu desaparecimento, com o legado da sua obra muitas vezes multiplicada e alargada pelos seus sucessores, nas pessoas de D. Manuel de Mello, e Jorge e José Manuel de Mello. 

Em 1971, quando passavam respectivamente 100 anos do seu nascimento e 29 anos da morte do seu criador e patrono, a CUF decidiu dedicar-lhe um filme documentário intitulado "Um Homem, uma Obra" 

É um filme de 17 minutos, a cores, com realização de Alfredo Tropa e Eduardo Elyseu, produção de Fernando Almeida, Direcção de Produção de Baptista Rosa, Fotografia de Elso Roque, Sonoplastia de Raul Ferrão e com a locução de uma voz inesquecivel da rádio e da televisão da época: Pedro Moutinho.

Na parte inicial deste documentário é feita uma sintese da revolução social e industrial  bem como da introdução de novas tecnologias até à primeira guerra mundial, feito através de figuras e fotografias. Daí por diante centraliza-se na figura de Alfredo da Silva recorrendo a fotografias da época do grande industrial, versus a moderna realidade apartir de vistas aéreas do que era o complexo em 1971, tratamento de cinzas de pirite, UFA, Metalurgia do Cobre, Caldeiraria, etc.

Para além da CUF são ainda apresentadas imagens da Lisnave, Sociedade Geral, Compal, Tabaqueira, Tinco, Teledata.

Refira-se ainda os interessantes testemunhos de Carlos Rei, Luis Almeida Guerreiro, José Rodrigues dos Santos, sobre a figura de Alfredo da Silva

Mas detenhamo-nos por algums momentos nas duas primeiras figuras, que referi pois têm a sua importância para a CUF, apesar de pouco conhecidas pela maioria das pessoas.

Carlos Rei - o homem que salvou a vida a Alfredo da Silva em Leiria em 1921. Portugal vivia por essa época um periodo bastante conturbado, quer a nivel social, politico e economico, face aos reflexos ainda latentes do grande conflito mundial. A 19 de Outubro desse ano eclodiu em Lisboa um movimento que ficou conhecido pela "Noite Sangrenta", no qual forças radicais de esquerda afectas à GNR e à Marinha, desencadearam uma tentativa de golpe de estado, tendo sido assassinados António Granjo, Machado dos Santos, José Carlos da Maia, entre outras figuras, na ainda hoje misteriosa "camioneta fantasma"  que andou a deambular pelas ruas de Lisboa nessa madrugada. Avisado que o seu nome constava nas listas de pessoas a abater, Alfredo da Silva decide apanhar o comboio rumo ao exílio em Espanha, voltando a viver em Portugal somente apatir de 1927 após a instauração da Ditadura Militar. 

Mas sobre este episódio nada melhor que transcrever o depoimento que este senhor deu à Revista Flama a 25 de Junho de 1971:  «Estávamos em Outubro de 1921. Alguns dias depois do "19 de Outubro". Eu era segundo-sargento de Infantaria 7. Tinha vindo de França. Da Guerra.», começa a contar o septuagenário de cabeça já branca, mas voz ainda forte, relembrando, amiúde, que já lá vão cinquenta anos. Cinquenta anos que, agora, lhe confundem um tanto as ideias. Todavia, vai dizendo com orgulho: «Naquela altura havia duas facções. Era a democratica e a outra, a contrária, a anti democrática. Eu pertencia a esta, a do Governo. Residia em Leiria, e fora nomeado um novo governador civil. O povo, por seu lado nomeara um administrador de concelho (ainda existia o cargo nesse tempo) ilegalmente porque tal competia ao governador. Era um tal tenente Lopes que a facção democrática queria para administrador. Ele estava colocado fora de Leiria, e mandaram-lhe um telegrama para se apresentar na cidade. Convergiu tudo para a estação dos caminhos-de-ferro. Também fui com os do meu grupo, para impedirmos que o tenente Lopes tomasse posse.
  Acontece que Alfredo da Silva viajava no mesmo comboio a caminho de Espanha, do exílio, soube mais tarde. O tenente Lopes, apercebendo-se que ele estava no comboio, começou a denunciá-lo àquela multidão. Alfredo da Silva, então assomou a uma das portas e disse: "Alfredo da Silva sou eu. Que me querem?". Estabeleceu-se a confusão, e daquela turba partiu um tiro que o atingiu. Agarram-no e meteram-no numa camioneta para o levar para o hospital. Fui nela com mais outros rapazes e, numa praça da cidade (a de Rodrigues Lobo) fomos assaltados pela multidão. Pegaram em Alfredo da Silva e atiraram-no para o chão. Desci da camioneta, era novo , e opus-me a que o agredissem de maneira bárbara. Ainda levou alguns pontapés. Acabavam de o matar se não tenho sido eu e mais alguns rapazes. Ainda surgiu um sapateiro com uma caçadeira carregada com zagalotes. Só tive tempo de levantar a espingarda e o tiro partiu para o ar. A multidão enfureceu-se mais, atiraram-se a mim e, no meio daquilo tudo, apareceu o comandante de Infantaria 7, coronel Oliveira - era boa pessoa - que me defendeu e ordenou o transporte do senhor para o hospital.
 Três dias depois Alfredo da Silva chamou-me ao hospital e, diante do coronel Oliveira, agradeceu-me o que eu lhe tinha feito e disse-me para lhe pedir o que quisesse. Respondi-lhe que nada queria, porque o que tinha feito a ele, tê-lo-ia feito a qualquer outra pessoa. Nem mesmo sabia quem era o senhor. Mais duas vezes me chamou para agradecer e para eu lhe dizer o que queria que fizesse por mim. Da última indagou das possibilidades de eu sair da vida militar e se queria ir para a CUF. Nessa altura, mandei perguntar para uns familiares em Lisboa quem era Alfredo da Silva e o que era a CUF. Disseram-me que a CUF era uma empresa grande e ele um grande industrial, etc. Então agradeci-lhe o oferecimento e aceitei. No dia um de Novembro apresentava-me ao trabalho no Barreiro, como encarregado do Cais. Reformei-me há doze anos como tesoureiro do estaleiro naval. Ao senhor Alfredo da Silva vi-o algumas vezes na sede, mas de vez em quando visitava as secções. Está claro que nunca mais falámos sobre esse assunto. Ele era uma pessoa muito especial.»

Luis de Almeida Guerreiro - um dos pioneiros da empresa, admitido a 1 de Dezembro de 1908, serviu-a com extrema dedicação durante 55 anos! Iniciou a sua carreira na Fábrica Sol, porém passados apenas 3 anos, Alfredo da Silva chamou-o para ir dirigir a nova fábrica de extracção de azeite de bagaço no Barreiro para onde se mudou definitivamente. O seu primeiro vencimento foi de 35 escudos mensais na Fábrica Sol, e quando foi transferido para a outra margem do Tejo passou a receber 50 escudos, casa, água, luz e lenha. Em Janeiro de 1915 assumiu as chefias das Construções onde se manteve durante 44 anos! Teve também a seu cargo durante largos períodos a direcção de algumas actividades relacionadas com a obra social da Empresa, como a Dispensa, a Padaria e os Refeitórios sendo ainda Chefe dos Serviços de Incêndios. Desempenhou cargos directivos no Grupo Desportivo da CUF, tendo sido Presidente da Assembleia-Geral durante 8 anos e de Presidente da Direcção do Clube em 1948. 

     
E resta-me terminar com a frase que remata este filme, que de facto sintetizava tudo aquilo que era o pensamento da Empresa nos inicios da década de 70:

"Está ali um embrião de novas técnicas e de maior riqueza. Está ali um Futuro melhor. Hoje, prepara e convive com o Amanhã"

sábado, 19 de agosto de 2017

Boia Publicitária da Império Seguros




Agora que meio país está a banhos a deliciar-se nas tão disputadas praias algarvias, sob o calor tórrido de Agosto, nada melhor que completar esse cenário com esta publicação. 

Uma bela forma de fazer publicidade, e de tentar fidelizar publico desde jovem nao é verdade? É claro que para além das boias haveria ainda uma parafernália de outros objectos com carácter publicitário: sacos, bolas de praia, chapéus de sol, panamás, etc. Tem graça que passados tantos anos pouco mudou. Continuamos hoje a ter nas nossas praias um pouco de tudo isso. 

Agora imaginem, uma boia destas e uma criança feliz e despreocupada à procura de aventura nas ondas, ou de repouso nas calmarias de um mar chão. Esta boia trará, certamente, a todos (ou a quase todos) recordações de outras infâncias....e de outros verões...

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Saladeira/Fruteira da Companhia Nacional de Navegação


    



É bem provável que esta peça terá pertencido a algum dos navios da Companhia Nacional de Navegação, e ter chegado tão bem preservada até aos dias é de facto louvável. 

Como se poderá ver nas fotos em anexo, esta loiça foi fabricada pela a Candal para a CNN. Porém temos também a marca da Casa José Alexandre o que dá azo a certas confusões. Graças ao meu amigo Luis Lages, (homem que está como peixe na água nestas questões) fiquei a perceber que a Casa José Alexandre servia de intermediária neste processo. Ou seja, a CNN fazia a encomenda à Casa já citada que por sua vez a fazia à Candal.

Já agora peço ajuda a quem conheça bem os carimbos da Candal  me consiga datar esta peça.

Não é facto novo, pois em Novembro de 2008 publiquei um cinzeiro do Hospital da CUF também ele com o carimbo da Casa José Alexandre e outro da Vista Alegre. 

Quanto à Candal quem quiser saber mais sobre esta histórica e importante marca já desaparecida, pode consultar o site Candalpark.

Relativamente à história da Casa José Alexandre, recomendo vivamente a consulta do artigo existente no blog Restos de Colecção sobre o assunto.  Possui importantes dados historicos e fotograficos sobre essa prestigiada Casa que muito sofreu com o incêndio do Chiado ocorrido em 1988.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Placa publicitária do fungicida ASPOR

Há uns tempos mandei vir esta engraçada placa publicitária de Espanha. Trata-se de um fungicida criado pela empresa italiana Montecatini, com quem a CUF teve relações não só comerciais, como foi parceira de negócio numa empresa criada em 1971 chamada INICA - Sociedade de Iniciativas Mineiras e Industriais. Está em bom estado geral de conservação, de certeza que esteve a uso em alguma loja ou depósito agrícola. As dimensões da placa são as seguintes: 40 cm de altura por 30 cm de largura, devendo datar dos anos 60.
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Placa Publicitária

Mas afinal o que era e para que servia o Aspor? Nada melhor que consultar a edição número 44 da revista Ao Serviço da Lavoura editada pela Divisão de Produtos para a Agricultura da CUF:

                   

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Nota do Blogue

Estimados leitores

Como é do conhecimento geral, estive afastado do meu blogue desde Julho de 2014 até Junho deste ano. É de facto um hiato de tempo demasiado longo, e muita coisa me passou ao lado, inclusivé mensagens deixadas pelos leitores, aos quais deixo aqui um sincero pedido de desculpas. Perdi oportunidades e perdi contactos com pessoas que de alguma forma estão ligadas a este universo da CUF... A verdade é que às vezes a nossa vida prega-nos partidas e primeiro que ela se volte a endireitar, por vezes demora um bom tempo. Momentos adversos que nos retiram a paixão da escrita e de ir contando as "milhentas" estórias/histórias que existem sobre o universo do Grupo CUF. Só uma coisa não soçobrou: a vontade indómita de ir guardando e preservando espólio relacionado com o maior número possivel de empresas ligadas a este tema. Hoje, ao ler as dezenas de mensagens que os meus leitores deixaram ao longo deste tempo neste blogue, apercebi-me da tremenda injustiça que estava a cometer. Todas essas mensagens tiveram o efeito imediato de querer voltar a dar uma vida nova a este blogue. Podem crer que é uma grande satisfação pessoal receber todas as vossas mensagens, sejam elas de reconhecimento, ou de critica, pois é dessa forma que podemos melhorar a qualidade da informação existente nesta página. Fiquem a aguardar pelas novas publicações, que não se irão arrepender. 

E porque uma pessoa mesmo que queira não consegue estar sempre em cima do acontecimento no Blogue, caso tenham alguma pergunta ou me desejem contactar por determinada razão, podem adicionar-me no Facebook. É fácil! Procurem por "Ricardo Cuf" certamente nao haverá mais ninguem com tal nome. 

Com os melhores  cumprimentos 

       Ricardo Ferreira 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Há 50 anos era inaugurado o Estaleiro da Margueira

Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração
Há precisamente 50 anos era inaugurado com pompa e circunstancia o Estaleiro da Margueira, que projectaram o nome da Lisnave pelo Mundo. O projecto era ambicioso e numa escala nunca antes vista no nosso país neste sector. Usando as mais modernas técnicas e "know-how" de ponta, cedo a marca Lisnave começou a ecoar pelos quatro cantos do mundo naval. A inauguração deste Estaleiro foi um verdadeiro acontecimento na vida do país. Os convidados começaram a chegar ao local por volta das 14 horas estando presentes membros do Governo, representantes dos meios económicos nacionais, altos funcionários do Estado, delegados de numerosas empresas financeiras e industriais estrangeiras, enviados das principais companhias petrolíferas e de armação de navios, nomeadamente a Esso, Gulf, BP, Shell, Niarchos, Onassis e Norwegian Shipping, já para não falar nos membros da direcção, técnicos e empregados da empresa. Citando a Revista Industria Potuguesa "Ao todo, cerca de 7500 pessoas. Um caso único na vida das empresas económicas portuguesas" (ontem, como hoje!) À chegada do Presidente da Républica, a cerimónia inaugural principiou pela abertura das válvulas da doca 11 de 300.000 toneladas. Cheia a doca, o que levou 2 horas, o Presidente da Republica descerrou uma lápida com os seguintes dizeres: 

Momento da abertura das valvulas da doca 11
"Aos 23 de Junho de 1967, Sua Excelência o Senhor Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz, Presidente da República Portuguesa inaugurou este estaleiro naval, empreendimento no qual se congregaram homens e capitais portugueses, holandeses, e suecos e cuja colaboração e esforço se devem o projecto e construção deste estaleiro, a previsão do seu futuro desenvolvimento e formação do seu pessoal"

E por falar em previsão, é interessante verificar a constante evolução em termos de previsibilidade da sua docagem ao longo do projecto. Em 1961 considerava-se uma tonelagem de 65.000 ton. como bastante grande. Porém em curto espaço de tempo, novas metas surgiram para fazer face ao rápido crescimento da arqueação bruta dos navios. Assim em 1962 previam-se duas docas para navios com 100.000 ton, em 1964 duas docas para 150.000 ton., no ano seguinte aumentava-se uma das docas para poder receber navios na ordem das 200.000 ton. e por fim em 1966 o projecto final: uma doca para navios até 300.000 ton. e outra com capacidade até 100.000 ton.

Este foi um dos primeiros projectos industriais virados a 100% para o mercado internacional. O que significava que a empresa iria concorrer sob forte concorrência internacional. E como se sabe, apesar disso, tornou-se num emorme sucesso empresarial, tão grande que passados apenas 4 anos, foi necessário construir uma gigantesca doca para navios até 1 milhão de toneladas por forma a fazer face ao constante crescimento da querenagem dos navios, bem como ao próprio estaleiro adiantar-se face aos seus concorrentes mundiais. A sua tecnologia de ponta era motivo para visitas de todo o tipo de personalidades e técnicos estrangeiros, mesmo em termos de desgasificaçao e lavagem dos navios tanques. A sua localização geográfica em plena Rota do Petróleo, fez despoletar em poucos anos a planificação de um ambicioso projecto de dominar essa mesma Rota em varios pontos com a criação em meados/finais dos anos 70 dos Estaleiros de Reparação no Bahrein, em Jeddah, no Brasil (que não foi concretizado) e outro em Curaçau. Mas isso são outras histórias que ficarão para contar numa próxima ocasião. 

Refira-se ainda que no acto inaugural do Estaleiro, os Paquetes "India" e "Principe Perfeito" na Companhia Nacional de Navegação deram entreada nas docas 11 e 12.

À esquerda o Paquete Principe Perfeito, vendo-se a entrar a doca o Paquete India


Discursaram depois, o Sr. José Manuel de Mello, Gonçalo Correia de Oliveira (Ministro de Economia) e o Almirante Américo Thomaz. 

No final da cerimónia foi servido um jantar a bordo do "Principe Perfeito"

Como forma de perpetuar este acontecimento a empresa editou uma medalha da autoria do grande escultor Leopoldo de Almeida, existentes em módulos grande e em módulo pequeno



Também os C.T.T. se juntaram às homenagens editando uma série comemorativa de selos com o carimbo do primeiro dia.





Uma das peças mais interessantes que possuo é esta. Trata-se da brochura lançada pela Lisnave da inauguração do Estaleiro que foi oferecida ao então Presidente da Républica, Almirante Américo Thomaz. Encadernada em pele e debruada a ouro, na primeira página pode-se ver a dedicatória e a assinatura de José Manuel de Mello ao Chefe de Estado.




E para terminar este post, deixo-vos parte dos ecos deste acontecimento nos meio de comunicação social.

Diário de Noticias de 24 de Junho de 1967


Revista Flama - 30 de Junho de 1967

Industria Portuguesa Nº 473. Julho de 1967

Vida Mundial Nº 1463, 23 de Junho de 1967

Jornal de Almada - 24 de Junho de 1967



Revista Lisnave Nº 19, Julho de 1967 (capa e noticia da pág. 4)


Defesa Nacional Nº 401-402, Setembro-Outubro de 1967


Shipping World & Shipbuilder, Agosto de 1967

Quero deixar aqui o meu agradecimento público ao meu amigo Carlos Caria que teve a gentileza de me oferecer o Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração, que deve ser um documento que certamente poucos devem ter sobrevivido á voragem dos tempos.